Ao me deparar com uma oferta imensa de títulos de filmes e minisséries oferecidos pelos principais streamings, resolvi maratonar uma série já meio antiga, de 2010, chamada “The big C”, que no Brasil se chamou “Aquela doença com C”. E qual a razão da minha escolha? Três motivos: tratava-se de uma personagem central que havia sido diagnosticada com câncer (aqui eu falo sobre saúde mental e enfrentamento de doenças graves), a série foi indicada a prêmios como o Emmy e o Globo de Ouro, inclusive levando a atriz Laura Linney a ganhar esses dois prêmios, em dois anos diferentes, como melhor atriz e, além de tudo, ainda contava com participações especialíssimas de atores consagrados como Alan Alda e Susan Sarandon. O resultado foi um dos melhores possíveis, porque a série de um modo muito honesto não se reduz ao drama de um paciente com uma doença grave, vai muito além: discute-se, desde o início, como Cathy , a personagem de Laura Linney lida com a situação, inclusive no modo de revelar ou não sua condição para as pessoas à sua volta. E, em quatro temporadas, o arco da história vai nos revelando personagens interessantíssimos, próprios, que orbitam em volta dessa mulher. A narrativa afiada, assim como os diálogos, tende mais à comédia, quase como uma sitcom, mas é recheada de visões críticas e autocríticas, nos mostrando a dificuldade de sermos nós mesmos no mundo e de nos relacionarmos com os outros, todos os outros. Se é verdade que a gente só aprende pela dor ou pelo amor, The big C nos mostra que aprendemos tanto por um quanto por outro. E que não há outro jeito de viver se não enfrentar tais desafios. Confiram. “The big C”, em cartaz na Netflix.
