Quando problemas muito grandes e complexos nos afetam, nos preocupam, tentamos lidar com eles através daquilo que temos acesso no momento: à medicina, na esperança de cura, à fé na esperança de conforto, ou ainda aos amigos e parentes, na esperança de apoio e compreensão. Mas e quando essas questões se referem a nós mesmos, às nossas angústias existenciais, à nossa incapacidade de nos entendermos sozinhos? Talvez, a resposta mais apressada fosse a procura de um tratamento psicoterapêutico, aliado a tudo aquilo que já foi dito antes. E se tudo isso não bastar? Proponho então a vocês a considerarem sobre o papel da arte, através de suas muitas formas; por exemplo, na leitura de um livro que vá direto ao encontro daquela situação pela qual estão passando, no olhar atento a um filme que reflita temas sobre os quais vocês se interessam, estudam e que, de alguma forma os atravessam. Muitas vezes até canções podem traduzir algo que estejamos passando, com fidelidade. Não é à toa que Milton Nascimento revela, com maestria, que “certas canções que ouço/ cabem tão dentro de mim/ que perguntar carece/ como não fui eu que fiz”.
Nesse sentido, esses “produtos culturais”, digamos assim, adquirem muito mais valor quanto mais sentido fizer a quem os consome. Porque todos estamos atrelados a uma determinada cultura, uma determinada família, a um grupo, mas ainda assim somos seres subjetivos, únicos. É por isso que um mesmo filme, uma mesma série, vai produzir sensações diferentes em cada pessoa. E não estou falando nem em julgamento de valor: é bom, é ruim, gostei não gostei.
Assim, como este blog ( e este site) tem a intenção de divulgar um trabalho psicoterápico voltado a pacientes com doenças graves e/ou seus familiares, já dou o “spoiler”:muitas das dicas culturais que aparecerão aqui, vão tratar exatamente disso: o enfrentamento de um diagnóstico, uma situação envolvendo morte, luto, questões familiares etc. Vamos juntos lidar com coisas que talvez nem gostaríamos que existissem. Temos a arte e suas manifestações para nos ajudar e muitas vezes nos tirar da inércia para um lugar de reflexão, de elaboração.



